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A ONU, em virtude do aumento significativo do envelhecimento no mundo promulgou a Década do Envelhecimento Saudável (2020-2030), um plano decenal de ação com estratégias globais para o envelhecimento com saúde. Entre os principais pilares a serem debatidos estão: voz e engajamento (para que os idosos se sintam partícipe do tecido social); liderança e capacitação (instrumentalizando o indivíduo a seguir saudável, relevante e engajado na sociedade); conexão entre as partes (envolvimento entre seus pares, evitando a solidão e o agravamento de doenças decorrentes do isolamento); fortalecimento da pesquisa, de dados e de inovação (acompanhamento das transformações, pesquisas e propostas de soluções como protagonistas dos problemas vivenciados).

Observa-se a necessidade de resolver um problema futuro que já está batendo na porta. Dados de 2017 apontam que 13% da população global já passava dos 60 anos (962 milhões de pessoas). Até 2050 estima-se que todas as regiões do mundo, exceto África, terão quase um quarto ou mais das respetivas populações com mais de 60 anos. Globalmente, o número de pessoas com 80 anos ou mais deverá triplicar até 2050 passando de 137 milhões, em 2017, para 425 milhões em 2050.

O crescimento populacional dos idosos, afora os problemas de falta de políticas públicas, ainda se depara com uma sociedade globalmente preconceituosa. É uma onda tão crescente que a ONU também lançou uma Campanha Global de Combate ao Idadismo, buscando mecanismo para combater e promover ações que favoreçam a saúde integral, o aumento de oportunidades, e tudo o mais que permita as pessoas prosperem em qualquer idade. 

Então, vale a reflexão: o que pode fazer  essa população que foi uma juventude que saiu de casa para morar sozinha, pregou a paz, o amor e o sexo livre, foi agente de grandes transformações na sociedade, a começar pelo debate do papel da mulher, foi contestadora, e catalisadora de uma série de mudanças? Revolucionar “vai – idosamente”. É preciso refletir para transformar, não nos cabe assistir aos fatos sem propositura, é preciso dar conta de uma nova arquitetura social, onde os esforços se unam para políticas públicas nas áreas de saúde e bem-estar, moradias que oportunizem qualidade de vida e entrosamento social, além de inclusão social e respeitabilidade.

É preciso preparar a nova era para seus avanços. Já que seremos mais longevos, que a ciência nos dará mais condição de vida, que sejamos, mais uma vez, a voz da mudança. “O conceito de envelhecer mudou, já não é sinônimo de deterioração, é mais uma etapa como a adolescência, com suas novas tarefas de identidade”, como explica José. A. Sánchez Medina professor de psicologia da Universidade Pablo de Olavide na Sevilha. Revolucionemos mais uma vez!

Autora: Marisa Fumanti / Mestre em Educação

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